Esfinge

Marina Alexiou

Publicado em 21 de julho de 2023.

Vistas dos longevos das distâncias históricas à sua frente,

As pupilas eram como um sol

mergulhado no horizonte em direção ao ocaso.

Das reminiscências corajosamente enfrentadas,

ao longo de um trajeto único e gloriosamente vivido.

Com braços generosos e sedutores

a enlaçar com abraços uma fenda qualquer

dos tesouros com os quais sua gênese a agraciou.

Fortaleza e graça.

Sinônimos desse delicado perfil que se apresenta aos deuses,

que a confortam com vislumbres de imagens

que pensava perdidas para sempre...

A sinuosidade de seus movimentos

exerce uma mutação nos ventos dos caminhos

volvendo o mapa e o intento dos seus desígnios.

Nesse declínio solar o dia, porém, não se findou.

Ela olha para o poente e vê, com surpresa,

um novo alvorecer. Nítido. Estranho. Incomum.

Da superfície do mar em seus olhos se põe, então, a brilhar essa inesperada aurora.

E o som que a contempla

é pleno de raios sibilantes de enigmas.

A continuidade deste dia dependerá da constância da sua vigília

e da atenção a cada sonho

contemplado nessa onírica imensidão...

Que a segue numa vertiginosa embriaguez de mensagens e respostas

revelando aquilo que ela já suspeitava em seu íntimo

A sua face de esfinge...

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